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Caroço no pescoço de crianças
Uma das queixas mais comuns no consultório é o de pais preocupados que seus filhos apresentam “bolinhas” no pescoço.
Para falar sobre o assunto, é preciso entender que são várias as condições que levam ao aparecimento de “caroços”, “bolinhas” ou “gânglios” no pescoço das crianças.
1- Gânglios linfáticos benignos:
O sistema imunológico do ser humano tem centenas de gânglios linfáticos, ou linfonodos pelo corpo todo. Estes gânglios podem crescer devido diversos fatores, como infecções, ferimentos na região da boca, alergias, entre outros. Portanto, são benignos na grande maioria das vezes, não costumam representar doenças graves.
Nossa boca, nariz, ouvido e pele da cabeça e face entram em contato com múltiplos agentes infecciosos e inflamatórios como vírus, bactérias e fungos a todo momento. Então por que não desenvolvemos doenças sempre? Bem isso tem relação com sistema de proteção e nossa memória imunológica.
O organismo humano é constituído por barreiras que filtram esses agentes infecciosos e os destroem ou isolam para evitar o desenvolvimento de uma doença. Portanto, quando conversamos com alguém doente devido um resfriado por exemplo, podemos ou não adoecer. Na grande maioria das vezes os microrganismos entram pelo nariz ou boca e são isolados pelas células de nossa garganta e podem ser armazenados nos gânglios do pescoço, levando ao aumento de algum deles.
Este aumento não necessariamente representa que a pessoa está doente, mas sim pode ser uma cicatriz de uma infecção prévia que em sua maioria regride totalmente em até 2-3 semanas quando os carocinhos são menores de 2 cm e até 4 semanas quando maiores que 2 cm.
Dessa forma, caso sua criança tenha o aparecimento dessas bolinhas no pescoço, veja se ela dói, se está vermelha ao redor, se ela diminui com os dias e se está associada a algum sintoma gripal, dor no ouvido, sinusite e outros sintomas de resfriados. Caso sim, provavelmente é um caso de inflamação pelo vírus. Porém, procure o pediatra e questione sobre o ocorrido. Caso a bolinha não suma entre 2-4 semanas, procure um especialista em cirurgia de cabeça e pescoço para avaliar melhor o caso.
“Dr., apareceu um carocinho devido uma gripe no meu filho, ele cresceu, reduziu mas ficou ainda algo que eu sinto depois de um mês, é normal?”
Na maioria das vezes, sim é normal, costuma ser algo cicatricial que pode ficar por anos, porém deve ser avaliado com um exame físico de um especialista ou até mesmo necessitar de realização de um ultrassom.
2- Gânglios linfáticos relacionados à doenças malignas:
Alguns gânglios linfáticos em pescoço que aparecem em nossos pequenos podem estar relacionados a doenças malignas. São casos extremamente raros, porém comumente aparecem no consultório.
A principal doença maligna que está relacionada a este crescimento de caroços no pescoço de crianças é o Linfoma. São cânceres que se alojam nos gânglios linfáticos em qualquer parte do corpo como pescoço, axilas, virilhas, dentro do tórax e abdome. Costumam crescer rapidamente em poucas semanas e causar pouca dor local. Alguns pacientes podem apresentar febre diária e dificuldade para engolir.
Neste caso, a investigação precisa ser feita com um exame físico direcionado no consultório, com auxílio de ultrassonografia e laringoscopia (para avaliar garganta e boca). Um profissional de cirurgia de cabeça e pescoço tem essas armas disponíveis no momento da consulta para tentar diferenciar tumores benignos de malignos.
Caso mantenha-se a suspeita, uma biópsia será indicada para melhor esclarecimento e início do tratamento.
3- Qual o exame que fazemos para avaliar os gânglios no pescoço?
No caso de gânglios (ou linfonodo) no pescoço, o exame de escolha a ser feito é o ultrassom. Apesar de parecer um exame muito simples, ele é superior ao exame de tomografia para identificação de gânglios no pescoço e é possível diferenciá-los de lesões malignas, congênitas (que nasceram com a criança) bem como se necessário, realizar uma punção para biópsia.
A tomografia computadorizada é feita em situações específicas de planejamento pré operatório ou em caso de lesões muito volumosas, principalmente quando precisamos avaliar se há contato com outras estruturas do pescoço como vasos e músculos... Isso pois necessita de um preparo mais complexo, muitas das vezes ser realizado com anestesia geral devido a movimentação de nossas crianças.
A ressonância magnética dificilmente é realizada. Isso pois o que ela nos oferece de diferente que a ultrassonografia não costuma mudar a conduta final do médico. Além de ser necessário tempo mais prolongado dentro de um espaço apertado para fazer o exame completo, o que torna muitas das vezes obrigatório o uso de anestesia geral.
Portanto, a investigação bem realizada pelo especialista de cabeça e pescoço com um exame direcionado do pescoço com palpação e ultrassom ainda no consultório costuma ser o suficiente para o diagnóstico e tomada de conduta.
4- Exames infecciosos são solicitados?
Sim. Infecções por vírus, bactérias, fungos e protozoários são também causa de gânglios no pescoço de adultos e crianças. Portanto, a triagem sorológica faz parte da investigação.
Doenças como toxoplasmose, mononucleose, HIV, tuberculose, entre outras podem desenvolver aumento de gânglios linfáticos na região do pescoço sem outros sintomas. Lembrando que nosso sistema imune está ainda em formação na idade infantil.
Esse é um dos motivos que preconiza a atenção ao calendário vacinal de nossos pequenos.
5- Contato com animais pode levar a aumento de gânglios no pescoço?
Existe uma doença chamada “doença da arranhadura do gato”, é ocasionada por uma bactéria Bartonella henselae quando um gato contaminado arranha uma pessoa, seja ela criança ou adulto.
Os sintomas principais são vermelhidão exagerada na região arranhada, inchaço, fadiga e gânglios nas proximidades da área do trauma.
Isso não é motivo para afastarmos nossos pets das crianças. Eles precisam compreender que as crianças são parte da família, bem como elas de que os pets são sensíveis e se protegem de agressões físicas por instinto.
A higiene e idas regulares ao veterinário previnem a contaminação exagerada por esta bactéria em nossos pets.
Em casos de que ocorra a doença, orienta-se procurar um pronto socorro para avaliar a necessidade de início do antibiótico.




