
Tumores de laringe
10/04/2023
Falar após cirurgia por câncer de língua
24/04/2023Câncer de laringe: tratamentos
A Laringe é responsável tanto pela fala quanto pela função esfíncter para proteger as vias aéreas, permitindo que o alimento que ingerimos não vá para o pulmão.
Quando é acometida por um câncer é necessária a avaliação de um médico especialista para avaliar qual tipo de tratamento será feito, esse é o primeiro passo. O cirurgião de cabeça e pescoço deverá fazer um exame minucioso da laringe com auxílio de um laringoscópio rígido ou de um nasofibroscópio. Realizará a palpação do pescoço à procura de nodulações e fará uma coleta de história clínica adequada.
Os exames complementares costumam ser exames de imagem como tomografias. A biópsia é de suma importância, pois falará qual o subtipo de tumor é aquele (sarcoma, carcinoma, entre outros).
Com esses dados poderá classificar o estadiamento do tumor, ou seja, em que estágio o tumor está. Nessas horas é que escuta-se falar do estágio I, II,III e IV. Essa classificação é feita baseando-se na extensão do tumor em relação às estruturas ao redor, bem como da condição que as cordas vocais estão (com paralisia ou não) e da presença ou não de nodulações suspeitas em região do pescoço ou de metástases a distância (câncer em outro órgão).
Tumores iniciais na laringe:
Tumores iniciais costumam ter mais de uma opção de tratamento. Isso mesmo, a equipe médica poderá escolher qual tratamento o paciente será submetido, levando em consideração protocolos internacionais de tratamento, bem como idade do paciente, condição nutricional, presença ou não de dificuldade para respirar e engolir, presença ou não de gânglios aumentados no pescoço, entre outros fatores que colaboram no que chamamos de decisão compartilhada.
Ou seja, não será imposto ao paciente e seus familiares o tratamento a ser feito, mas sim fará a junção de dois pilares: “a decisão compartilhada com paciente e familiares” e a “medicina baseada em evidências científicas”. Isso pois não é humano forçar o paciente a seguir um tratamento que não concorda por questões pessoais, bem como não deve-se realizar tratamento de uma doença como o câncer sem estar apoiado em dados científicos.
Com o avanço dos métodos de tratamento. Atualmente dispomos, para tumores iniciais, de cirurgia endoscópica (cirurgia parcial por método microcirurgia de laringe), ou seja, com aparelhos que adentram a boca do paciente e atingem a laringe e consegue-se retirar os tumores utilizando-se de microscópios, aparelhos de microdissecção e lasers (de co2 e de diodo). Este método é seguro e eficaz. É possível retirar o tumor com margem de segurança adequada e causar menor dano à voz e ao processo de engolir do paciente. Efetuado em um centro cirúrgico com um cirurgião de cabeça e pescoço experiente e com toda a segurança anestésica - cirúrgica.
O paciente pode ser submetido a tratamento de radioterapia. Em que o paciente passa em consulta com um médico especialista no método (médico radioterapeuta). Este irá programar sessões diárias de segunda a sexta feira para o paciente realizar de forma fracionada uma dose total de radiação sobre a laringe para “queimar” o tumor e destruir suas células. É um método muito eficaz, porém assim como a cirurgia, pode mudar um pouco a qualidade da voz e o processo de engolir.
A cirurgia aberta de laringectomia parcial é realizada por uma incisão na região anterior do pescoço. A parte doente da laringe é removida com margem de segurança oncológica e permite que o paciente consiga resultados bons do ponto de oncológico e de reabilitação. A recuperação é mais prolongada que a cirurgia endoscópica. Este tipo de modalidade é reservada para casos em que não é possível a cirurgia microscópica por via endoscópica.
Tumores avançados na laringe:
Em casos de tumores avançados, pode-se usar a cirurgia de laringectomia total (remoção completa da laringe) com ou sem tratamento com radio e quimioterapia após ou radio e quimioterapia exclusivas.
A remoção completa do órgão laringe é um procedimento radical, reservado para tumores que não permitem a remoção do tumor e a preservação da funcionalidade do órgão. Ou seja, quando não é possível um resultado funcional e oncológico adequado.
O resultado que o paciente e a equipe procuram é o tratamento do tumor e qualidade de vida após, deve-se pesar a indicação de cada uma das modalidades. Embasado nisso, surgiu em 1990 próteses fonatórias, que auxiliam o paciente a recuperar a voz mesmo após retirada da laringe. Assim como a cirurgia possibilita que o paciente retorne a ingestão de alimento por via oral. Ou seja, temos o resultado oncológico com a remoção do tumor e a recuperação das funções de vida diárias apesar do tratamento radical.

Prótese fonatória, fonte: https://www.atosmedical.com.br/laringectomia/uma-maneira-diferente-de-falar
É muito comum escutar de pacientes e familiares que o estágio III e IV de câncer laringe são casos em que “não há nada a ser feito”, isso é um equívoco. Apesar de alguns tumores serem mais avançados, os trabalhos científicos, técnica cirúrgica e qualidade de tratamento oncológico com quimioterapia, imunoterapia e radioterapia possibilitam tratamento desses pacientes.
Independente do tipo de tratamento proposto, é relevante a equipe multiprofissional estar integrada, existindo um elo de ligação entre os membros. O cirurgião de cabeça e pescoço, oncologista clínico, radioterapeuta, nutricionista, fonoaudiólogo e psicólogo são peças fundamentais para o sucesso no tratamento. Além dos familiares e cuidadores envolvidos, pois são estes que dão apoio para que o paciente possa seguir o tratamento da melhor forma possível.




