
Operei a tireoide e estou engordando, é por causa do hormônio?
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26/03/2024Câncer de tireoide: retirada total ou parcial, o que é melhor?
Antes de 2015, o câncer de tireoide era tratado com remoção total da tireoide em todos os casos. Mas isso não é realidade hoje em dia. Isso tudo mudou após a reunião de muitos trabalhos científicos pelo mundo inteiro comparando quem faz cirurgia parcial e quem faz cirurgia com remoção total em carcinoma papilífero de tireoide localizado unicamente na tireoide e notou-se que ambos os casos os pacientes vivem a mesma quantidade de tempo e tem a mesma chance estatística de volta de doença.
Isso costuma ser muito difícil de acreditar, mas são centenas de trabalhos e milhares de pacientes avaliados pelo mundo inteiro, inclusive no Brasil comprovando isso.
Entretanto, mesmo com todo esse respaldo científico, muitas pessoas ainda têm medo de deixar uma parte de tireoide quando tem câncer. E nós como médicos cirurgiões de cabeça e pescoço sabemos e compreendemos o medo. Por isso a consulta para tratamento de um nódulo seja ele benigno e maligno da tireoide deve ser feita de forma demorada e explicativa.

Fonte: https://www.gleneagles.com.sg/tests-treatments/thyroidectomy
Irei colocar aqui alguns prós e contra para cirurgia total e parcial da tireoide para podermos exemplificar os benefícios da cirurgia parcial quando bem indicada:
1- Cirurgia parcial tem menor chance de usar hormônio pós-operatório:
Quando deixamos metade da tireoide na cirurgia de remoção de metade da tireoide, possibilitamos que esta metade possa produzir hormônio necessário para suprir o corpo do paciente. É claro que pacientes que já apresentam produção reduzida do hormônio podem necessitar repor uma pequena quantidade.
2- Não ocorre queda do hormônio das paratireoides:
As paratireoides são glândulas que ficam atrás da glândula tireoide. Elas produzem um hormônio chamado paratormônio (PTH) que é responsável pelo metabolismo do cálcio em nosso organismo, retirando e colocando dos ossos e no sangue. O bom funcionamento dessas glândulas paratireoides permite que não tenhamos câimbras e possamos ter uma boa saúde óssea, diminuindo a chance de osteoporose e fraturas quando mais idosos.
Quando fazemos a cirurgia de remoção da tireoide, o cirurgião precisa desgrudar a tireoide das paratireoides preservando estas no corpo do paciente. Porém em alguns pacientes ocorre a perda de função da paratireoide mesmo que elas sejam preservadas no pescoço do paciente.
Isso porque as paratireoides em cerca de 12-15% dos casos podem perder uma parte do sangue que alimenta elas, fazendo com que elas cicatrizem de forma errada. É como se elas sentissem falta do sangue que ia para a tireoide. O paciente acaba tendo câimbras e precisando tomar cálcio e as vezes calcitriol para diminuir os sintomas.
No geral, quase todos os casos podem melhorar após algumas semanas que o paciente tenha removido a tireoide toda, porém alguns casos podem precisar tomar cálcio e calcitriol para o resto da vida.
Quando realizamos a retirada parcial da tireoide, não mexemos com um dos lados da tireoide, então, não precisamos mexer com as glândulas do lado que não será operado e o paciente não corre este risco.

Fonte: https://www.healthdirect.gov.au/surgery/parathyroidectomy
3- Menor chance de rouquidão no pós-operatório:
Toda cirurgia de tireoide tem chance do paciente evoluir com rouquidão mesmo que transitória. É uma complicação rara, porém que existe. Isso acontece porque a tireoide nasce grudada com o nervo laríngeo recorrente que controla a maior parte dos músculos da garganta (laringe) responsável pela fala.
Quando realizamos a cirurgia total da tireoide, precisamos deslocar a tireoide dos 2 nervos da voz, o que aumenta a chance de ocorrer rouquidão.
4- Mais rápida recuperação:
Pacientes que removem parcialmente a tireoide costumam retornar mais facilmente ao trabalho e as atividades normais do dia a dia. Isso acontece devido a diminuição das complicações pós-operatórias. Menos dor, menores chances de tomar medicações, entre outras.
5- Acompanhamento médico mais fácil:
Como os pacientes ficam em sua grande maioria sem necessidade de controlar os hormônios da tireoide, cálcio e PTH, o acompanhamento é mais simples, podendo ocorrer menos consultas anuais ao médico.
6- Mesma chance de volta de doença:
Todo tumor maligno pode voltar. Hoje sabemos que a chance disso ocorrer é igual para o paciente que fez cirurgia parcial ou total quando bem indicada.
Para isso, o cirurgião de cabeça e pescoço deve seguir uma lista de quesitos que indica a cirurgia parcial. Por isso a necessidade de tratar com um cirurgião experiente, humanizado, que se atualiza constantemente e preparado.




