
Tumores de esôfago em suas diferentes localizações
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O que é o esôfago?
O esôfago é um órgão em formato de tubo que mede cerca de 40 cm, iniciando-se logo após a laringe e faringe e prolongando-se através do pescoço e tórax até o seu final na transição com o estômago que receberá o alimento por ele transportado.

Su Jin Hong, Tae Jung Kim , Kyung Bum Nam, In Sun Lee, Hee Chul Yang, Sukki Cho, Kwhanmien Kim, Sanghoon Jheon, Kyung Won Lee Author AffiliationsPublished Online:Oct 13 2014
Por ser uma estrutura que apresenta apenas algumas poucas e delgadas camadas (camadas musculares e mucosa). Dessa forma, não apresenta a serosa, uma camada protetora externa como os demais órgãos do sistema digestivo. Portanto, qualquer crescimento de células tumorais malignas naquela região apresentará uma maior chance de disseminação para estruturas próximas com a evolução da doença.

https://www.todamateria.com.br/esofago/
Quais as causas do câncer de esôfago?
O câncer de esôfago tem muita relação com o consumo de álcool, bem como tabagismo e consumo excessivo de bebidas quentes. Dados da organização mundial de saúde mostra que em 2019 houve cerca de 604.100 casos de cânceres de esôfago e transição esofagogástrica no mundo. Porém o Brasil não está atrás, dados do ministério da saúde (DataSus) mostram um aumento progressivo de câncer de esôfago (não estão incluídos os de transição esôfago gástrica nesta estatística), principalmente nos últimos 5 anos, sendo maior ainda no sudeste do país. Em 2021 foram 3.859 casos de câncer de esôfago diagnosticados na região sudeste.

Fonte: https://www.iarc.who.int/news-events/the-global-landscape-of-esophageal-squamous-cell-carcinoma-and-esophageal-adenocarcinoma-incidence-and-mortality-in-2020-and-projections-to-2040-new-estimates-from-globocan-2020/

Fonte: ttp://tabnet.datasus.gov.br/cgi/webtabx.exe?PAINEL_ONCO/PAINEL_ONCOLOGIABR.def
Os tumores malignos de esôfago, continua tendo uma grande relação com uso abusivo de álcool e tabaco, porém atualmente, nota-se a presença dessa doença em pacientes que não fumam e não bebem, porém apresentam um fator de risco muitas das vezes ignorado pela população em geral, a doença do refluxo e a obesidade.
As grandes metrópoles costumam ter uma vida corrida, estresse, carga horária de trabalho prolongada e dificuldade por parte dos moradores de ter uma dieta adequada. A falta de tempo para atividade física e para cozinhar alimentos saudáveis tornam o consumo de comidas de preparação rápida, os “fastfoods”, uma opção fácil.
Alimentos como refrigerantes, condimentos industrializados, cafeína, achocolatados, carnes processadas, frituras e alimentos ricos em conservantes são processados mais lentamente pelo estômago, principalmente quando ingeridos sem a adequada mastigação e em grandes quantidades em pequeno intervalo de tempo. Aquela famosa “azia” ou “má-digestão” após comer, nada mais é do que sintomas de refluxo gastroesofágico.
O que é o refluxo gastroesofágico?
É o conceito dado ao retorno para o esôfago de substâncias que estavam no estômago (seja ela alimento, líquidos ou o próprio ácido gástrico). Isso pode ocorrer por diversas causas, de forma fisiológica (normal) com as crianças pequenas, nas grávidas no início e final da gestação. Porém pode estar associado a processos anormais (patológicos), como pacientes com obesidade pois aumenta-se a pressão abdominal; pacientes com hérnia de hiato (patologia estrutural da transição esofagogástrica); pacientes idosos com doenças degenerativas como tremores (como na doença de Parkinson), demências (como na doença de Alzheimer), após lesões cerebrais (como acidentes vasculares encefálicos - AVC). Em alguns casos pode estar unicamente associado ao consumo rápido de alimento, ou até mesmo à hábitos de deitar-se logo de comer.

Bem, mas por que estamos falando de doença de refluxo em um texto sobre câncer de esôfago? Já irei explicar.
Em 1957 um estudioso australiano chamado Dr. Norman Barret notou a revestimento interno do esôfago e da transição entre o estomago e o esôfago de alguns pacientes apresentavam modificação das células após anos de sinais de doença de refluxo avaliados em endoscopias seriadas. Esta região iniciava um processo de cicatrização anormal após tanta agressão de ácido em uma área que não está preparada. Isso pois o estômago é um órgão altamente espesso, grosso, forte para receber o suco gástrico extremamente ácido, porém o esôfago não. Lembrem-se que o esôfago é um órgão bem mais fino e desprotegido do que os demais do trato digestivo. Portanto, a agressão com esse refluxo ácido leva a uma inflamação (esofagite) que se agrava quando não tratada, até tornar-se a famosa “esofagite de Barret”, o que se considera a lesão que se transforma em câncer quando não tratada de forma adequada.
Assim sendo, o aumento da doença do refluxo nas últimas décadas, aumentaram ainda mais os casos de câncer de esôfago e transição esofagogástrica que já tínhamos pelo consumo de álcool e tabaco.
Pacientes acima de 45 anos com sintomas de refluxo gastroesofágico, como dor no peito após alimentar-se, sensação de azia ou de má-digestão (plenitude pós-prandial), queimação na área do tórax, vontade de vomitar após ingerir alimento, perda de peso rápida, engasgos com algum tipo de consistência de alimento são aconselhados a realizar exame de endoscopia digestiva alta e procurar um especialista para tratamento adequado.
O que fazer quando descubro um tumor?
Quando for identificado o tumor de esôfago, necessita ser feita uma biópsia e enviada para anatomopatologia para que o médico possa avaliar no microscópio o subtipo do tumor e outras características que são importantes para definição do tratamento adequado. O médico cirurgião oncológico especializado em tumores do trato aero digestivo superior deve ser consultado bem como ser feita uma avaliação multiprofissional com médico oncologista clínico especializado neste tipo de doença, assim como nutricionista e nutrólogo.
Como é o tratamento do câncer de esôfago?
O tratamento de cada tipo de tumor é feito de uma forma diferente. Os tratamentos são protocolados por estudos internacionais e o paciente recebe o tratamento que é mais adequado para ele.
Portanto, pergunte ao profissional que tipo de protocolo de tratamento ele usará, quais as opções que temos hoje para este tipo de doença, quais você pode realizar. Caso seja optado por uma abordagem cirúrgica, qual tipo de método será feito no seu caso, quais as medidas pré-operatórias são mais adequadas para seu caso. Compartilhe com a equipe de profissionais que está lhe tratando as suas dúvidas, suas aflições. Pergunte o que você paciente e família podem fazer para que o tratamento proposto possa ser um sucesso. Todos somos peças fundamentais no tratamento.
Muito pode-se fazer hoje para que o tratamento do câncer de esôfago seja mais eficiente, técnico, menos invasivo, assertivo e principalmente mais humano. Recorde que o tratamento não é para o câncer de esôfago, mas sim para o paciente. Este é um ser humano único, envolto em um meio social ímpar. Desta maneira, deve ser feito visando o ser humano completo, respeitando as crenças, os valores familiares e principalmente, a ética.




