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Paciente sem laringe e cordas vocais pode falar? O que é prótese fonatória?
19/07/2024Quem usa traqueostomia pode falar?
Traqueostomia é uma comunicação entre a traqueia e o meio ambiente, é utilizada como um desvio do ar possibilitando o paciente respirar sem que o ar passe pela laringe.
Ela é utilizada em diversos casos, como por exemplo:
- Pacientes que apresentaram intubação prolongada em UTI para facilitar que o paciente acorde e possa melhorar mais rapidamente.
- Crianças com alterações motoras que impossibilitem que se alimentem e respirem, como acontece com alguns casos de crianças com paralisia cerebral.
- Paciente em pós operatório de cirurgias de grande porte na região da boca, garganta, pescoço e laringe.
- Paciente que retiraram a laringe.
- Estenose esofágica.
- Traqueomalácia.

Fonte: N Engl J Med 2020;383: e112, VOL. 383 NO. 20DOI: 10.1056/NEJMvcm2014884
A grande maioria dos pacientes que usam traqueostomia conseguem falar. Isso porque quando a traqueostomia é ocluída, o ar volta a passar pelas cordas vocais na laringe.
Caso o paciente apresente algum obstrução ou limitação muscular na laringe, será mais complicado falar, isso acontece por exemplo em pacientes com tumores da região da laringe que obstruem a luz das cordas vocais
Pacientes que permaneceram muitas semanas intubados internados em uti e que não conseguem respirar sem a traqueostomia têm necessidade de um tempo para reabilitação e voltar a falar. Os músculos da garganta, língua, pulmão e laringe estão mais enfraquecidos e precisam de exercícios para voltarem a funcionar.
Pacientes que removeram totalmente a laringe devido um câncer não falam mais utilizando a laringe, mas sim, através de outros mecanismos como por exemplo:
- Voz esofágica:
Pacientes que perderam a laringe devido cirurgia para remoção do câncer apresentam um grande desafio para retornarem a falar e por muitos anos a voz esofágica foi a melhor opção para isso.
O paciente aprende com a fonoaudiologia a engolir o ar e fazer vibrar os músculos do pescoço, faringe e garganta através do movimento de saída do ar do estômago através do esfíncter do esôfago.
Desenvolver a técnica da voz esofágica demora algumas semanas, o paciente precisa ser persistente e treinar diariamente.
O grande benefício para o paciente é poder falar sem usar aparelhos e sem necessitar fechar o traqueostoma e sem usar as mãos.
- Laringe eletrônica:
A laringe eletrônica é um aparelho colocado no pescoço ou em baixo do queixo que causa uma vibração naquela região e o paciente pode falar.
A voz é produzida com som mais metálico e necessita que o paciente utilize sua mão para aproximar o aparelho ao pescoço.
É de mais rápido aprendizado do que a voz esofágica e o aparelho utilizado é de custo inferior à prótese fonatória.
Muitos pacientes preferem a laringe eletrônica devido a facilidade de usar e seu baixo custo.

Fonte: mskcc.org/cancer-care/patient-education/total-laryngectomy-01
- Prótese fonatória:
Atualmente a prótese fonatória é o padrão-ouro em reabilitação de pacientes que removeram a laringe.
É colocada uma válvula de material plástico que irá comunicar a traqueia do paciente com o esôfago. Essa válvula abre quando o ar passa da traqueia para o esôfago e fecha quando o paciente se alimenta para não permitir que o alimento passe do esôfago para a traqueia.
A prótese fonatória é colocada cirurgicamente no momento da cirurgia de remoção da laringe ou até mesmo depois. Caso seja optado em colocar depois, o paciente necessitará de um novo procedimento cirúrgico que é rápido e seguro, podendo ir para casa no mesmo dia.
Para falar, o paciente precisa ocluir a traqueostomia e fazer com que todo o ar que expira possa ir para o esôfago e faringe, causando a vibração das estruturas da língua, garganta e esôfago produzindo o som.
Esta válvula necessita de cuidados diários de higienização que é rapidamente aprendida pelo paciente e feita diariamente com uso de uma escovinha pelo próprio paciente.

Fonte: mskcc.org/cancer-care/patient-education/total-laryngectomy-01
A troca da válvula é feita de acordo com a necessidade de acordo com a capacidade dela de funcionar. Como qualquer outro objeto de material plástico, apresenta uma deterioração com o tempo e uso. A maioria dos pacientes necessita trocar a válvula no período de 10 à 12 meses de sua última colocação. Para trocar, o médico pode realizar no consultório ou no centro cirúrgico com anestesia local e libera o paciente logo em seguida.
Existem diversos utensílios que podem ser usados para melhorar a qualidade de vida do paciente com a traqueostomia como adesivos que ocluem a traqueostomia evitando que entre poeira ou ar frio ao respirar, além de artefatos que fazem os pacientes com prótese fonatória não necessitar colocar a mão para ocluir a traqueostomia para falar.




