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É importante saber que não são todos os casos que há a necessidade de reposição de cálcio quando operamos a tireoide, são casos raros que necessitam fazer uso cronicamente de cálcio via oral.
Atrás da tireoide existem glândulas bem pequenas chamadas “paratireoides”. Estas paratireoides são responsáveis por controlar o metabolismo do cálcio em nosso organismo. O hormônio da tireoide é chamado PTH (paratormônio) e auxilia na entrada e saída do cálcio dos ossos para o sangue e do sangue para ser eliminado na urina pelos rins.
Ou seja, em casos de mal funcionamento, o paciente poderá ter um desajuste nesta função.

Metabolismo do cálcio Fonte: www.nature.com/articles/nrdp201755
Quando retirada a tireoide totalmente devido uma doença benigna ou maligna da tireoide, o paciente tem um risco de cerca de 10% de ocorrer o chamado hipoparatireoidismo, ou seja, a diminuição ou interrupção do funcionamento das paratireoides. Isso acontece pois estas glândulas consomem sangue que passa ao redor ou até mesmo que vai pelos vasos da tireoide. Quando a tireoide é removida, as paratireoides podem sofrer com isso e diminuir a produção desse PTH.
Quando realizada a retirada parcial da tireoide (apenas um lado da tireoide), esse risco cai para zero quando o paciente tem funcionamento normal das paratireoides e do metabolismo do cálcio antes da cirurgia.

Anatomia das paratireoides em relação à tireoide. As glândulas em amarelo são as paratireoides em contato íntimo com a tireoide.
Fonte: www.niddk.nih.gov/health-information/endocrine-diseases/primary-hyperparathyroidism
Quando ocorre a diminuição da circulação de sangue nas paratireoides durante o pós operatório de uma cirurgia onde ocorreu a retirada total da tireoide, a produção de PTH diminui e pode ocasionar uma queda no cálcio que circula pelo corpo do paciente, levando a sintomas como câimbras, fraqueza muscular, alteração intestinal como diarreia, entre outros sintomas menos comuns.
Para alívio dos sintomas de queda de cálcio no organismo, os pacientes podem precisar repor o cálcio com comprimidos em caso de sintomas leves, ou até mesmo por via endovenosa em casos mais complexos. Em pacientes que necessitam ficar mais tempo com reposição de cálcio, usamos comprimidos de calcitriol para auxiliar no controle dos sintomas. Lembrando que estes sintomas são raros.
Para que isso não ocorra, o cirurgião de cabeça e pescoço usa-se de sua expertise cirúrgica para manter as paratireoides o mais intactas possível, bem como mantendo os pedículos vasculares, ou seja, as veias, funcionantes. Entretanto, mesmo tomando todos estes cuidados, existe a chance de cerca de 5-12% de ocorrer a alteração da função dessas glândulas, seja por um tempo que dura cerca de duas semanas, ou até mesmo de forma definitiva.
Ter uma dieta rica em alimentos que tenham cálcio é importante também, derivados do leite são exemplos. Porém caso a indicação de suplementação com medicações existir, deve ser realizada pelo paciente de forma correta e assistida pelo médico que lhe operou e por um endocrinologista.




