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26/06/2024Vigilância ativa em câncer de tireoide
O que é vigilância ativa em câncer de tireoide?
Nos últimos 10 anos temos escutado muito dentro do meio médico sobre não operar câncer de tireoide. Ou seja, mesmo que um paciente tenha um tumor maligno na tireoide, não iremos realizar cirurgia e sim acompanhar o paciente. Hoje existem protocolos médicos que nos autorizam em alguns casos não realizar a cirurgia. Sobre isso que iremos conversar hoje.
Primeiramente, é importante ter em mente que não são todos os casos que se enquadram neste tratamento não operatório chamado “vigilância ativa em câncer de tireoide”, mas sim, são casos selecionados e muito bem determinados pela literatura médica e respaldado por muitos estudos científicos ao redor do mundo todo.
Quais são os pacientes que se beneficiam da vigilância ativa em câncer de tireoide?
Pacientes com tumores malignos de tireoide com dimensões pequenas, os chamados microcarcinomas papilíferos de tireoide. Que não apresentam nenhum fator de mau prognóstico, ou seja, os exames de imagem e punção devem mostrar se tratar de um tumor maligno com uma baixa chance de metástase e invasão, além de tamanho pequeno, menor que 1 cm, os chamados microcarcinomas papilíferos. Ser de natureza “papilífera”, sem sinais de células que nos mostram maior agressividade.

Ultrassom mostrando um microcarcinoma papilífero de 2,4 x 3,1mm em lobo esquerdo da tireoide
Fonte: https://www.oncotarget.com/article/25621/text/
Nem todos os pacientes com tumores que tenham estas características serão candidatos a vigilância ativa, mas sim necessitarão operar. Isso porque o paciente deverá manter um acompanhamento com ultrassonografia periódica que varia a cada quatro a seis meses, além de exames de sangue com marcadores.
Portanto, o paciente ideal para realizar o tratamento e acompanhamento com a vigilância ativa será aquele que não deseja operar, que tenha tumores e nódulos que sejam malignos, porém menos agressivos e que tenham disponibilidade de realizar um tratamento com consultas rotineiras.
Como é feita a vigilância ativa?
Deve ser feita com um médico com especialidade em cirurgia de cabeça e pescoço com experiência no tratamento de câncer de tireoide, bem como na realização do exame de ultrassonografia em consultório e que esteja familiarizado com casos de vigilância ativa.
A realização de exames de sangue é algo que será feito a cada 4-6 meses a depender das características do paciente e do nódulo de tireoide. O ultrassom de tireoide costuma ser feito pelo próprio cirurgião de cabeça e pescoço durante a consulta, pois ele poderá comparar como está o nódulo, tamanho, formato, se existe ou não calcificação, entre outros dados.
Um paciente que está fazendo vigilância ativa, poderá necessitar de cirurgia?
Sim, alguns poucos casos podem evoluir com mudança no padrão do nódulo ou até mesmo o paciente decidir operar.
Quando bem indicada a vigilância ativa, é muito raro ocorrer a mudança das características do nódulo. Caso ocorra, o paciente pode ser submetido sem problemas à cirurgia. E sem prejuízo ao prognóstico da doença.
O protocolo de vigilância ativa é um protocolo de estudo e pesquisa?
Não. Fazer vigilância ativa é comum há anos dentro e fora do Brasil. É respaldado por centenas de estudos científicos e autorizados pelas sociedades médicas no Brasil e no mundo inteiro.
Entretanto, é muito importante indicar para o paciente certo, nódulo correto e ser acompanhado por um médico com experiência no assunto.
Vigilância ativa pode ser feita em todas as idades?
No começo das pesquisas no início dos anos 2000, realizava-se apenas em pacientes idosos. Porém, atualmente, a indicação foi estendida até pacientes adultos jovens. Crianças e adolescentes nós médicos costumamos ser mais cautelosos devido ao maior risco nesta idade de tipos mais agressivos de tumores malignos de tireoide.
“Quais os benefícios de realizar a vigilância ativa ao invés de cirurgia?”
Menores riscos. Isso porque o paciente não necessitará fazer um tratamento invasivo que não é isento de risco.
Apesar da cirurgia de tireoide ser muito realizada por médicos de cirurgia de cabeça e pescoço, ainda apresenta riscos como sangramentos, infecções, a própria cicatriz no pescoço, queda de cálcio no pós-operatório.
Portanto, realizar vigilância ativa em casos de câncer de tireoide é uma escolha que deve ser feita após uma avaliação aprofundada do caso e após uma decisão compartilhada, ou seja, o paciente juntamente com o médico e seus familiares entendem e concordam com os riscos e benefícios desse tratamento.
Atualmente existem doenças como o microcarcinoma de tireoide que podem ser tratadas de mais de uma forma. Radioablação, cirurgia parcial, cirurgia total, vigilância ativa, todos com grande eficácia.
São armas que temos para oferecer ao paciente e este poder tratar o câncer da melhor forma possível e que faça mais sentido para ele sem prejudicá-lo.




